“Celebramos 80 anos de evolução no mercado português de pneus”, RS Contreras

A celebrar 80 anos de atividade, a RS Contreras mantém-se como uma das referências da distribuição de pneus em Portugal. Numa entrevista exclusiva, José Enrique, diretor geral da empresa, faz um retrato da evolução do setor, dos desafios da logística e digitalização e das tendências que estão a transformar o mercado
Fundada em 1946, a RS Contreras assinala este ano oito décadas de atividade no setor da distribuição de pneus em Portugal. A empresa, sediada na grande Lisboa, atravessou diferentes fases do mercado automóvel e da economia nacional, acompanhando a evolução tecnológica e as mudanças nos hábitos de consumo, mas mantendo uma identidade assente na proximidade ao cliente, no rigor e na capacidade de adaptação. Hoje, com uma operação cada vez mais digitalizada, um portefólio multimarca e uma forte aposta logística, a RS Contreras continua a reforçar a sua posição no mercado nacional. Ao olhar para os 80 anos de história da empresa, José Enrique, diretor geral da RS Contreras, destaca a profunda transformação ocorrida nas últimas décadas. “Muita coisa mudou em 80 anos. As maiores transformações aconteceram nos últimos 20, e sobretudo nos últimos 5 anos. Passámos de um modelo monomarca para multimarca, apostámos forte na digitalização, melhorámos a logística e profissionalizámos toda a operação”, afirma. Apesar dessa evolução, garante que alguns pilares permanecem inalterados: “O que nunca mudou foi o nosso compromisso com o cliente e os nossos valores.”Essa continuidade é, aliás, um dos aspetos que José Enrique considera determinantes para a longevidade da empresa. “O nosso ADN continua o mesmo desde o início: foco no cliente, honestidade, seriedade e dinamismo. Procuramos sempre as melhores soluções para os nossos parceiros. Estes valores são inegociáveis e fazem parte da nossa identidade”, sublinha.
Atualmente, a RS Contreras opera a partir de instalações estrategicamente localizadas na grande Lisboa, permitindo uma resposta rápida às necessidades do mercado. Ainda assim, o crescimento do negócio coloca novos desafios ao nível da armazenagem e da logística. “As nossas instalações ficam localizadas numa zona privilegiada da grande Lisboa, o que nos permite estar muito perto dos nossos clientes. Por contra, gostaríamos de dispor de mais área de armazenagem, pois a dinâmica e o crescimento do próprio negócio é o que nos exige”, refere José Enrique. Nos últimos anos, a empresa investiu significativamente na modernização da operação logística, uma área considerada essencial para garantir competitividade e qualidade de serviço. “Temos aumentado e modernizado a nossa logística. O futuro vai claramente nesta linha”, afirma o responsável.
Digitalização é prioridade há vários anos
A capacidade operacional da RS Contreras traduz-se num stock médio de cerca de 80 mil pneus, número que deverá continuar a crescer. A empresa assegura atualmente quatro entregas diárias na zona de Lisboa através de frota própria e cobre praticamente todo o território nacional com duas entregas por dia. “Também estamos abertos aos sábados, com entregas e possibilidade de levantamento no armazém”, acrescenta José Enrique. A empresa conta atualmente com uma equipa de 29 colaboradores, distribuídos por diferentes áreas estratégicas do negócio. O call center integra três pessoas e recebe, em média, mais de 600 pedidos diários, um indicador do elevado volume operacional e da intensa relação diária com oficinas e parceiros.
No terreno, a componente comercial continua a assumir um papel central na estratégia da empresa. A equipa comercial é composta por três profissionais que acompanham clientes em todo o território nacional e ilhas. “É uma equipa experiente e formada que acompanha diariamente os nossos parceiros no terreno, dando apoio comercial, técnico e garantindo o sucesso do negócio”, explica José Enrique. Para o diretor geral da RS Contreras, a proximidade física continua a ser indispensável num setor onde a confiança e a rapidez de resposta fazem a diferença. “Do meu ponto de vista, a presença no terreno é essencial neste negócio — faz toda a diferença na relação com os parceiros e no sucesso das operações”, afirma.
A transformação digital é outra das áreas onde a empresa tem vindo a acelerar o investimento. José Enrique considera que a RS Contreras é hoje uma empresa claramente mais digitalizada do que há alguns anos, embora reconheça que o processo está longe de concluído. “A digitalização é uma prioridade há vários anos. Temos evoluído de forma consistente e melhorado os nossos processos. Já demos passos importantes, mas ainda há muito por fazer. Tecnologias como a inteligência artificial vão ser fundamentais no futuro”, afirma. Um dos exemplos mais visíveis dessa evolução é a renovação integral da plataforma B2B da empresa. Segundo José Enrique, trata-se de uma ferramenta desenhada para simplificar a relação dos clientes com a distribuidora. “A nossa plataforma B2B foi totalmente renovada no último ano. É simples, intuitiva e permite aos clientes gerir toda a relação connosco: encomendas, faturação, campanhas, tracking de entregas, reclamações e devoluções — tudo de forma rápida e prática.”
Especializada no segmento consumer
Ao nível da oferta, a RS Contreras está fortemente especializada no segmento consumer, abrangendo pneus para turismo, comerciais ligeiros e 4×4. A empresa trabalha todas as gamas de produto — premium, quality e budget — com um portefólio abrangente em termos de marcas e dimensões. A estratégia da empresa assenta precisamente nessa diversidade de oferta. Entre as marcas premium destacam-se Michelin, Continental, Bridgestone, Goodyear e Pirelli. No segmento quality, a empresa trabalha marcas como Nexen, Hankook, Yokohama, Firestone e BFGoodrich, enquanto na gama budget aposta em marcas como Kormoran, Mabor, Tristar e Firemax. José Enrique destaca especialmente a importância da Nexen na estratégia da RS Contreras. “Somos distribuidores exclusivos para o mercado português desde há mais de 20 anos. É uma marca que está na vanguarda tecnológica e que neste momento equipa de origem as marcas de automóveis mais prestigiadas do mercado, como Porsche, Mercedes, BMW, Audi e Volkswagen”, afirma. Na opinião do responsável, a marca sul-coreana oferece atualmente “a melhor relação qualidade-preço do mercado”. Além da Nexen, a empresa comercializa também de forma exclusiva em Portugal as marcas Tristar e Firemax. A Tristar, de origem chinesa, é apresentada como “um produto quality a preço budget”, enquanto a Firemax se posiciona no segmento super-budget, tendo demonstrado “um excelente desempenho”. Para este ano, estão previstos novos lançamentos da Nexen, incluindo novos equipamentos de origem e reforço da gama dimensional, acompanhando a crescente evolução técnica do mercado automóvel.
Manter estratégia equilibrada e sustentável
Num contexto internacional marcado pela instabilidade económica e geopolítica, a RS Contreras procura manter uma estratégia equilibrada e sustentável. “Num contexto tão instável, é difícil fazer planos a longo prazo. Ainda assim, temos um projeto sólido e ambicioso. O foco é continuar a servir bem os clientes, manter a competitividade e garantir um serviço de qualidade”, resume José Enrique. Questionado sobre o atual cenário da distribuição de pneus em Portugal, o diretor geral da RS Contreras descreve o setor como “maduro, complexo, exigente e muito competitivo”. Ainda assim, acredita que os distribuidores continuarão a desempenhar um papel decisivo na cadeia de valor. “Desempenham um papel fundamental. São a primeira linha da frente e quem garante o correto abastecimento e funcionamento diário do mercado”, afirma. Na sua perspetiva, o distribuidor funciona cada vez mais como um parceiro estratégico das oficinas. “O distribuidor acaba por ser um simplificador da atividade diária das oficinas, porque estas delegam toda a complexidade e custos associados à planificação, armazenamento, logística e entrega de pneus”, explica.
Sobre a evolução dos canais de venda, José Enrique acredita que os especialistas continuam a ter uma posição muito forte em Portugal, superior à de muitos mercados europeus. Contudo, admite que poderá haver uma perda gradual de quota nos próximos anos, motivada sobretudo pela ausência de renovação geracional em muitos negócios. Ao mesmo tempo, destaca o crescimento dos auto centers, impulsionado por novas aberturas, maior cobertura geográfica, horários alargados e investimento em comunicação. A evolução económica também influencia diretamente o comportamento dos consumidores. Com um parque automóvel envelhecido e perda de poder de compra, José Enrique considera natural o crescimento da procura por soluções mais acessíveis. “Com um parque automóvel envelhecido e uma inflação generalizada fruto da instabilidade mundial, a procura de soluções com uma boa relação preço-qualidade irá ganhar cada vez mais peso nos próximos tempos”, prevê.
Acompanhe esta entrevista no Anuário da Revista dos Pneus, versão impressa ou online. Consulte aqui.




