“O Challenge Oficinas ajuda a valorizar a profissão”, Auto Bispo

“O Challenge Oficinas ajuda a valorizar a profissão”, Auto Bispo

Da oficina do pai ao projeto próprio na Moita, a história da Auto Bispo foi sendo construída entre experiência e vontade de inovar. Hoje, com nove pessoas na equipa e uma especialização em veículos elétricos e híbridos, a oficina é finalista do Challenge Oficinas 2026. Sara Bispo, gestora financeira e de recursos humanos, conta-nos como esse caminho foi sendo feito

Há sonhos que começam pequenos e ganham forma à medida que encontram espaço para crescer. Na Auto Bispo, esse caminho fez-se entre aprendizagem, investimento e uma vontade constante de melhorar. Com raízes familiares no setor e os olhos postos no futuro, a oficina foi construindo uma identidade própria, próxima dos clientes e cada vez mais preparada para os desafios da nova mobilidade. Agora, o Challenge Oficinas 2026 acrescenta um novo capítulo a essa história.

JO: Apresente-nos a sua oficina. Como nasceu, onde está situada, quantas pessoas fazem parte da equipa e que serviços presta atualmente?

SB: A história da Auto Bispo começou em 2010, quando o Ângelo iniciou o seu percurso profissional na oficina do pai e o projeto passou a adotar o nome Auto Bispo. Em 2014, juntei-me ao negócio, assumindo funções ligadas à gestão e organização da oficina. Ao longo dos anos, fomos adquirindo experiência, consolidando a nossa forma de trabalhar e construindo uma relação de confiança com os clientes.

Em 2021, decidimos dar um novo passo e avançar com um projeto totalmente nosso, abrindo a atual oficina Auto Bispo, na Moita. Mantivemos o nome que já fazia parte da nossa história, mas iniciámos uma nova etapa, com identidade própria, uma equipa em crescimento e uma aposta cada vez maior na inovação e na evolução técnica.

Atualmente, somos uma equipa de nove pessoas, distribuídas pelas áreas de gestão, receção e assistência técnica. Prestamos serviços de manutenção e reparação automóvel, mecânica geral, eletrónica, diagnóstico e somos especializados em viaturas híbridas e elétricas. A nossa prioridade continua a ser prestar um serviço rigoroso, transparente e próximo, acompanhando a evolução do setor automóvel e investindo continuamente na formação da equipa e na melhoria dos nossos serviços.

JO: Que momentos bons e maus marcaram a vossa história?

SB: Um dos momentos mais difíceis da nossa história aconteceu em 2021. Fizemos um investimento significativo em janeiro desse ano, com o objetivo de abrir a atual oficina e iniciar uma nova etapa do nosso percurso. Pouco tempo depois, surgiu a pandemia, trazendo incerteza, dificuldades financeiras e muitos desafios de gestão. Foi uma fase exigente, mas que conseguimos ultrapassar com muito rigor, resiliência e trabalho.

Entre os momentos mais positivos, destacamos o crescimento da equipa e a evolução da própria oficina. Gerir pessoas nem sempre é fácil, porque cada elemento tem a sua personalidade e forma de trabalhar, mas acreditamos que uma boa liderança passa pela comunicação, pela motivação e pela capacidade de corrigir e melhorar.

Outro marco muito importante aconteceu em 2023, quando começámos a apostar nos veículos híbridos e elétricos. No início, foi uma área completamente nova e que exigiu investimento, formação e adaptação. Hoje, reconhecemos que foi uma das decisões mais acertadas que tomámos, porque permitiu à Auto Bispo evoluir, diferenciar-se e preparar-se para o futuro do setor automóvel.

JO: O que distingue a sua oficina das restantes e faz com que os clientes continuem a confiar no vosso trabalho?

SB: O que distingue a Auto Bispo é, acima de tudo, a forma próxima e transparente como acompanhamos cada cliente. Procuramos que as pessoas compreendam o que se passa com a sua viatura, quais os trabalhos necessários e por que razão devem ser realizados.

Não queremos apenas reparar automóveis, queremos construir relações de confiança duradouras. Cada viatura é analisada com rigor e cada intervenção é comunicada ao cliente de forma clara, procurando apresentar as soluções mais adequadas às suas necessidades.

A honestidade é fundamental para nós, mesmo quando isso significa explicar que determinada reparação ainda não é necessária ou que existe uma alternativa mais equilibrada.

Outro fator diferenciador é a constante evolução técnica da oficina. Investimos na formação da equipa, em equipamentos de diagnóstico e na adaptação às novas tecnologias, o que nos permite trabalhar tanto com veículos a combustão como com híbridos e elétricos. Procuramos acompanhar a evolução do setor sem perder o atendimento próximo e personalizado que sempre nos caracterizou.

JO: A sua oficina é finalista da competição Challenge Oficinas, o que vos levou a concorrer e quais as vossas expetativas?

SB: A iniciativa de participarmos no Challenge Oficinas partiu do Ângelo. Quando teve conhecimento da competição, considerou que seria uma boa oportunidade para colocarmos à prova os nossos conhecimentos, a nossa capacidade de análise e a forma como lidamos com situações reais do dia a dia de uma oficina.

Decidimos avançar com a inscrição com espírito de desafio e, numa fase inicial, sem criarmos grandes expetativas relativamente ao resultado. O principal objetivo era participar, aprender e perceber como o nosso trabalho e as nossas decisões seriam avaliados por profissionais do setor.

Chegar à final foi uma surpresa muito positiva e, acima de tudo, um reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver. É uma conquista que não pertence apenas à gestão, mas a toda a equipa, porque o desempenho de uma oficina resulta do contributo de todas as pessoas que dela fazem parte.

Nesta fase, as nossas expectativas passam por aproveitar ao máximo a experiência, conhecer outras oficinas e profissionais, partilhar ideias e continuar a aprender. Naturalmente, queremos alcançar o melhor resultado possível, mas estar entre os finalistas já representa para nós um motivo de grande orgulho e uma motivação adicional para continuarmos a evoluir.

JO: Que aprendizagens, competências ou experiências espera retirar desta participação?

SB: Esperamos que esta participação nos permita aprender com outras oficinas e conhecer diferentes formas de trabalhar, organizar equipas e resolver os desafios que fazem parte do dia a dia do setor automóvel.

Acreditamos que, mesmo quando temos experiência, há sempre espaço para melhorar. Queremos aproveitar esta oportunidade para analisar os nossos métodos, identificar pontos que podemos aperfeiçoar e trazer novas ideias para a gestão, para a área técnica e para o atendimento ao cliente.

Esperamos também desenvolver ainda mais competências de comunicação, liderança, trabalho em equipa e tomada de decisão.

Acima de tudo, queremos retirar desta experiência novos conhecimentos, contactos e motivação para continuarmos a evoluir. Independentemente do resultado final, acreditamos que participar no Challenge Oficinas já está a contribuir para o crescimento da Auto Bispo e de toda a equipa.

JO: De que forma o Challenge Oficinas pode ser uma mais valia para as oficinas em Portugal?

SB: O Challenge Oficinas pode ser uma grande mais-valia porque dá visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas oficinas em Portugal e mostra que, por detrás de cada reparação, existe muito conhecimento, responsabilidade, investimento e trabalho de equipa.

No dia a dia, estamos muito focados em resolver os problemas dos clientes e em manter a oficina a funcionar, e nem sempre temos oportunidade de parar para analisar os nossos métodos. Este tipo de iniciativa leva-nos a refletir sobre a forma como trabalhamos, como gerimos as equipas, como comunicamos com os clientes e o que podemos fazer melhor.

É também uma oportunidade para conhecer outras realidades, partilhar experiências e perceber que muitas oficinas enfrentam desafios semelhantes. Essa troca de ideias pode ajudar todo o setor a crescer, a tornar-se mais organizado, mais profissional e mais preparado para as mudanças que estão a acontecer no mundo automóvel.

Acreditamos ainda que o Challenge Oficinas ajuda a valorizar a profissão e todas as pessoas que trabalham neste setor, mostrando ao público que as oficinas estão em constante evolução, investem em formação e tecnologia e desempenham um papel fundamental na segurança e na mobilidade de todos.

Mais do que distinguir vencedores, esta iniciativa pode motivar as oficinas portuguesas a evoluir, a sair da sua zona de conforto e a procurar fazer cada vez melhor.

A oficina em poucas palavras

A oficina em três palavras
Confiança, inovação e dedicação.
Qual é a ferramenta sem a qual não conseguem trabalhar?
Equipamento de diagnóstico.
Se a oficina tivesse um lema, qual seria?
A sua segurança começa aqui!
Qual é a expressão que mais se ouve na oficina?
O fio condutor.
Se pudessem escolher um superpoder, qual seria?
Escolheríamos uma visão de raio-X, para conseguirmos detetar de imediato a origem dos problemas.
Uma palavra para definir o Challenge Oficinas
Evolução.

Quem é quem na equipa?

Quem é o mais bem-disposto?
Ângelo Bispo.
Quem é o mais organizado?
Sara Bispo.
Quem mantém a calma sob pressão?
Rúben Almeida.
Quem é o mais competitivo?
Bernardo Diniz.
Quem tem sempre uma solução?
Rui Galo.
Quem chega sempre primeiro?
Marcelo Marinho.
Quem é o “detetive” que encontra sempre a avaria?
Rui Galo.
Na nossa equipa nunca falta…
União, dedicação e vontade de superar cada desafio.

Descrição da Imagem (da esquerda para a direita): Rúben Almeida, Magda Fonseca, João Ferreira, Marcelo Marinho, Marina Branquinho e Rui Galo. Sentados: Ângelo e Sara Bispo.

Membro da equipa em falta na fotografia: Bernardo Diniz.

Entraram para aprender e acabaram entre os finalistas. Na próxima edição impressa do Jornal das Oficinas, revelamos como a Auto Bispo pretende enfrentar agora a fase final do Challenge Oficinas 2026.

A edição de 2026 conta com o patrocínio da Autel by LuzdeairbagOpen PartsBAHCOMEYLE, DAYCO e MOEVE. Apoio: Grup Eina e Pro4Matic.