Concentração do negócio

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Uma concentração de negócio, seja em que setor for, obriga as empresas a diferenciarem­‑se. É necessário que haja uma proposta de valor que seja compreendida pelos clientes, e esse deve ser o grande objetivo: oferecer qualidade a preços competitivos, no tempo certo e respeitando as regras do mercado.

A concentração do negócio da distribuição de peças tem vindo a ser feita faz já mais de uma década e continuará a seguir o seu caminho. A dimensão de grandes grupos de distribuição são muito interessantes, mas também têm os seus desafios que uma PME pode contornar, como a decisão rápida e o empresário que está diariamente no negócio, conhecendo a sua equipa e os seus clientes.

A necessidade de abranger mais clientes no mercado, ou até mesmo, explorar novos mercados, faz com que os distribuidores unam esforços sob uma marca única que partilha os mesmos interesses. É mais fácil atuar no mercado enquanto uma rede do que enquanto players individuais. Este fenómeno verifica­‑se há muito no conceito de rede de oficinas. A principal vantagem deste modelo é o concertar de preços entre distribuidores, que permite uma maior retenção de margem e uma viabilidade de negócio maior. Do ponto de vista das oficinas e casas de peças mostra­‑se uma desvantagem pois quanto menos distribuidores no mercado, menor o seu poder negocial. No entanto um distribuidor mais robusto, significa um nível de serviço melhor, o que significa maior rapidez na aquisição do material, menos tempo por reparação, mais reparações e consequentemente mais faturação.

A Europa genericamente está mais avançada neste processo de concentração, mas Portugal irá aproximar­‑se desta realidade a par e passo. O benefício de economias de escala das grandes estruturas que possam permitir em última instância um preço mais favorável para o cliente final, imprimem necessariamente maior profissionalismo ao sector com processos e critérios comerciais bem estabelecidos. No reverso da medalha as grandes estruturas deixam de conseguir um enfoque regional que acompanhe as especificidades de cada mercado e têm uma resposta menos rica em nichos de mercado que estruturas mais pequenas dão importância.
O fenómeno da concentração está em marcha e vão continuar a aparecer Novos Grupos e a desenvolverem­‑se os atuais. Havendo prós e contras, é algo inevitável. Como vantagens, eventualmente aumenta­‑se a margem de negociação, o poder de compra, a oferta para os clientes torna­‑se maior e mais diversificada, entre outros benefícios…

Em Portugal já se verificaram alguns fenómenos de concentração ao nível dos distribuidores e tem sido notório o crescimento dos grupos de retalhistas que, dessa forma, tentam ganhos de escala para os seus negócios. Se os ganhos de escala fruto do crescimento são uma realidade, a verdade é que, tornando­‑se grandes demais, estas entidades poderão perder rapidez e agilidade na relação com o mercado e, consequentemente desperdiçar boas oportunidades de negócio.

A tendência de concentração irá continuar, e no nosso país passará pela iberização da distribuição. Normalmente a concentração dita a lei do mais forte, e estas estruturas maiores conseguem mais eficiência na distribuição e otimização da compra, o que vai provocar mais pressão sobre o preço. Quem não tiver capacidade de ombrear com estas estruturas, vai sucumbir.