Melhor Mecatrónico 2023 – “Os benefícios desta Competição ajudam na evolução do setor”

João Miguel Passarinho Luís tem 46 Anos, mora no concelho de Odivelas e há quinze anos que desenvolve o projeto oficinal Miguel & Luísa Auto Lda. como fundador e parte integrante dos quadros da empresa como Mecatrónico
Dentro do meio oficinal, João Luís já tem um percurso longo, pois desde tenra idade que frequenta as oficinas, pois o seu pai era bate-chapas, e desde sempre acompanhou a evolução oficinal bem de perto.
Como profissional, a sua etapa começou entre 1997 e 2001, quando se tornou orçamentista e chefe de oficina, tendo começado a efetuar o seu percurso de formação eletrónica, bem como os primeiros passos a nível de diagnóstico automóvel.
A sua principal inspiração foi sempre o desafio em encontrar solução para novos problemas, e assim que a revolução a nível tecnológico começou e as dificuldades sentidas pelos profissionais do setor a partir de 1998 se instalaram, despoletou em si uma vontade cada vez maior de saber mais e entrar nesse novo mundo do OBD e das normas Euro e sistemas de antipoluição estabelecidas na altura. Desde criança que a curiosidade de saber como funciona o acompanhou. Legos e desmantelar pequenos carros de brincar eram o seu hobbie. “Lembro-me perfeitamente, que a partir do secundário, e como tinha a possibilidade de estar dentro do meio oficinal, a minha curiosidade aguçou e fez-me começar a aprender com os mecânicos da altura a profissão que hoje executo com todo o orgulho”, referiu João Luís.
O seu percurso, para além das inúmeras formações que já efetuou e continua a efetuar até hoje, para poder acompanhar a evolução tecnológica e digi- tal do automóvel, passou por trabalhar na oficina do seu pai durante toda a infância e adolescência. Numa certa etapa abraçou outros projetos, tendo trabalhado na Sociedade Portuguesa de Reboques e na BMW, Auto Fialho de Almeida, até que em 2007 resolveu criar o seu projeto pessoal, a M. & L Auto Lda. Tem como referência profissional uma formação contínua e meticulosa, assim como a aposta em meios tecnológicos para poder acompa- nhar não só os novos sistemas eletrónicos como o ADAS, sistemas de antipoluição cada vez mais sofisticados ou a eletrificação dos veículos, mas tam- bém a evolução do mercado a nível de produtos de origem e aftermarket. “A minha dedicação a esta profissão, é sem sombra de dúvida de corpo e alma, posso confessar que já sonhei com várias resoluções de problemas de algumas viaturas”, frisou.
Para João Luís, esta é uma profissão que exige dedicação e sacrifício, e salienta que na maior parte das vezes ainda é vista de lado e negligenciada. “O trabalho que desempenho é para proteger a vida dos condutores e aumentar o conforto de todos aos quais me é permitido resolver as avarias e desgaste dos seus automóveis. Tenho a responsabilidade de colocar a proteção ativa de cada viatura em segurança máxima, pois tenho a noção que sou responsável pela vida das pessoas a quem efetuo a reparação das suas viaturas”, sublinha. “Esta dedicação acaba por nos desgastar e ter um impacto no nosso seio familiar, pois temos que dedicar muito do nosso tempo em prol da segurança de outros, e da nossa própria convicção e autoestima, mas com o desenrolar da idade e da experiência profissional acabamos por conseguir conciliar melhor o tempo dedicado a família”, acrescentou João Luís.
Como seria de esperar, também tem o seu escape, e o motociclismo há já muitos anos que o acompanha nesse processo de exteriorizar a sua adrenalina, bem como a sensação de liberdade que lhe traz. Tal como qualquer relacionamento, e como já referiu anteriormente, “a dedicação é a base fundamental. A satisfação de exercer esta profissão, ocorre em cada momento em que o serviço executado é motivo para nosso orgulho e a satisfação do nosso cliente que nos confiou a vida dele, e dos que irão circular com ele na sua viatura”. Para João Luís, a profissão de mecatrónico automóvel deveria ser mais valorizada, até porque a sua continuação é uma incógnita, muito porque as novas gerações não veem a mesma como uma profissão a seguir, e em sua opinião, este facto deve-se à falta de valorização, desgaste prema- turo, e ao grau de dificuldade da mesma em prol de um rendimento abaixo de outras profissões que hoje se encontram no top do mercado, como as profis- sões digitais e tecnológicas. “Mas acredito que esta profissão irá vingar no futuro pois terá que haver sempre meios de transporte, e terá que haver sempre quem lhes efetue a sua manutenção. A evolução tecnológica será sempre um desafio para todos nós mecatrónicos, mas acho que será sempre um motivo também para o desenvolvimento de competências inerentes à profissão”, assegurou.
Na sua opinião, a Competição Melhor Mecatrónico, para além de demonstrar que existem excelentes profissionais em Portugal, tem a capacidade de os motivar para serem ainda melhores. “A minha participação advém não só do reconhecimento de competências, bem como é uma forma de satisfação pessoal pela qualidade como decorre, e me proporcionar uma vontade imensa de me superar a mim próprio, e claro ser valorizado na profissão a qual já dediquei uma parte da minha vida”, enaltece. “As finais são para ganhar, e como por mérito aqui cheguei, vou tentar ao máximo o melhor desempenho possível, de preferência o primeiro lugar, sei que não será fácil, mas não será para mim nem para nenhum dos colegas de profissão que irão disputar comigo o tão cobiçado pódio”, acrescentou.
O facto da Competição se realizar na expoMECÂNICA, para além de ser uma montra para todos os participantes, acima de tudo irá ser um prestígio para todos os profissionais que executam com orgulho e mérito a profissão Mecatrónico Automóvel. Por isso, João Luís acredita que esta exposição e credibilidade se irá refletir na confiança depositada em todos os profissionais do ramo. “Os benefícios, divulgação, e credibilização desta Competição, acima de tudo ajuda para que o estigma da descredibilização da profissão se espraie, e que a mesma seja divulgada, reconhecida e remunerada como merece. Só eventos como este podem chegar a uma fatia enorme de mercado, e sociedade em geral. O dinamismo destes eventos também acaba por lançar o Jornal das Oficinas como uma referência , não só no mercado Aftermarket, como também uma referência para os profissionais de reparação do sector automóvel. Que venha Abril, e que o evento seja um sucesso”, concluiu.





