Mercado oficinal em convulsão

Em 2020 existiam 5.200 oficinas multimarca independentes, que representam 60% dos reparadores em Portugal. Nos últimos anos têm fechado claramente mais oficinas do que abrem, no entanto, a tendência é para uma diminuição muito acentuada assim que o parque de híbridos for superior a 40%. Destas 5.200 oficinas independentes, mais de 1.200 já pertencem a redes oficinais. Até ao início de Abril existiam 56 redes de oficinas em Portugal e quase todos os meses aparece uma nova.
É uma tendência que ainda vai continuar pelo menos por mais uns anos. Como o mercado pós-venda está a mudar muito, só com as sinergias de uma rede bem organizada é que irão garantir a sua fatia do queijo. Como pontos fortes, as redes de oficinas oferecem aos seus membros: apoio técnico, formação, marketing e comunicação (nacional e local), central de compras (equipamentos, lubrificantes, consumíveis de oficina, peças, etc…), acompanhamento jurídico, acordos de frotas, imagem de marca, acesso a informação técnica de todas as marcas, gestores de zona, digitalização, programas de gestão, etc… Relativamente às oficinas autorizados, em 2020 existiam 1.100 oficinas autorizadas de marca e a sua quota é de 12%, estando a perder quota para as oficinas independentes.
Em 2020 existiam 1.700 oficinas especialistas em pneus e o seu peso no universo da reparação era de 22%. Este canal da reparação tem também vários pontos fortes, tais como, os clientes no mínimo cada dois anos vão visitar uma oficina de pneus para mudar de pneus e aqueles que já estão a diversificar a atividade já recebem os clientes todos os anos. Algumas redes estão bem informadas e organizadas, estudam bem o mercado e implementam as medidas ou ações necessárias, enquanto que outras estão completamente paradas no tempo.
Relativamente às oficinas de colisão, é um dos mais antigos setores e necessita de grandes e profundas alterações, pois o seu negócio tem vindo a decrescer e tudo indica que irá manter essa tendência. A diminuição do uso do carro, que temos assistido nestes dois anos, mais todas as atuais ajudas à condução, não ajudam em nada este setor. Trata-se de um canal que vai necessitar de se reinventar, pois as suas atuais 500 oficinas têm poucos pontos fortes, um deles é que muitas oficinas ainda não têm máquinas de calibração do sistema ADAS.
Os critérios mais apreciados pelos condutores para escolherem uma oficina vão mudando conforme as circunstâncias, mas os mais comuns são o preço (campanha e promoções), confiança, qualidade e localização. Um dos pontos fortes das oficinas multimarca independentes é poderem realizar mais campanhas criativas, pois não necessitam de pedir autorizações nem aprovações a ninguém, e assim conseguem ter preços mais competitivos. Mas para aumentarem a rentabilidade, devem começar a vender outros serviços para além da manutenção e reparação, designadamente: lavagens, seguros, rodar pneus, recolha e entrega de viaturas em casa do cliente ou na empresa, aluguer de carros (Rent-a-Car), venda de carros usados, aluguer de bicicletas elétricas, crédito, carregamento de carros elétricos, etc… Relativamente aos retalhistas de peças, em 2020, existiam cerca de 1.000 empresas desta área, um número demasiado elevado para os reparadores que temos, mas uma das poucas coisas boas das crises é que ajuda a “limpar” os operadores que andaram a estragar mercado, a praticar preços muito baixos e que agora ou já fecharam ou estão na iminência de o fazer. O número razoável de retalhistas andará por volta de metade dos atuais.
DADOS DO AFTERMARKET
PORTUGAL EM MARÇO 2021
Oficinas de marca: 1100
Oficinas independentes: 5200
Oficinas de colisão: 500
Oficinas de pneus: 1700
Retalhistas de peças: 1000
Fonte: GIPA




