O futuro dos grupos motopropulsores

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O momento de viragem na adoção dos Veículos Elétricos de passageiros ocorreu na segunda metade de 2020, quando as vendas e a penetração dos VE aceleraram nos principais mercados apesar da crise económica provocada pela pandemia de COVID-19. A Europa liderou este desenvolvimento, onde a adoção de VE alcançou os 8% devido a políticas como alvos de emissões mais limitadores para os fabricantes de equipamento original e subsídios generosos para os consumidores

Em 2022 os debates centraram-se na data do fim das vendas de veículos com motor de combustão interna (MCI). Novos objetivos regulamentares na União Europeia e nos Estados Unidos visam agora uma quota de VE de pelo menos 50% até 2030 e vários países anunciaram agendas mais aceleradas para a proibição das vendas de MCIs em 2030 ou 2035.

Alguns fabricantes de equipamento original anunciaram as suas intenções de interrupção do investimento em novas plataformas e modelos de MCI e muitas mais definiram já uma data específica para terminar a produção de veículos MCI. A consciências dos consumidores mudou também para uma de mobilidade sustentável, com mais de 45% dos consumidores de automóveis a considerar a compra de um VE.

No entanto, a contínua aceleração da eletrificação está a impor uma grande pressão sobre os fabricantes de equipamento original, as suas cadeias de fornecimento e o ecossistema alargado de VE para que cumpram com estes alvos. Isto é particularmente óbvio no que diz respeito à preparação da infraestrutura de carregamento necessária.

Até 2035, os maiores mercados automóveis serão elétricos
A pressão regulamentar assim como a atração do consumidor pelos VE varia de região para região. A Europa consiste principalmente num mercado impulsionado pela regulamentação com grandes subsídios, enquanto que na China a atração do consumidor é muito forte apesar dos reduzidos incentivos. Nos EUA, as vendas de VE cresceram lentamente devido a uma pressão regulamentar e interesse do consumidor, apesar da tendência reguladora ser de mudança na nova administração.

Ao nível global, esperamos que a adoção de VE (BEV – Battery Electric Vehicles; PHEV – Plug-in Hybrid Electric Vehicles; e FCEV – Fuel Cell Electric Vehicles) alcance os 45% sob as atuais previsões de alvos regulamentares. No entanto, mesmo esta perspetiva de crescimento transformador dos VE está muito abaixo do necessário para que alcancemos as emissões zero. Os VE teriam de representar 75% das vendas globais de automóveis de passageiros até 2030, o que representa um ritmo significativamente superior ao que existe atualmente na indústria.

Acreditamos que a Europa, enquanto mercado impulsionado pela regulamentação com tendências de procura positivas por parte do consumidor, irá eletrificar-se mais rapidamente e é esperado que permaneça como líder global da eletrificação em termos da quota de mercado de VE.

Além do objetivo da Comissão Europeia, que requer cerca de 60% de vendas de VE até 2030, vários países anunciaram já o fim das vendas de MCI até 2030. Em consonância com anunciado, sete marcas de fabricantes de equipamento original comprometeram-se já com 100% de vendas de VE até 2030 na União Europeia. No cenário acelerado de maior probabilidade, a adoção por parte do consumidor irá exceder os alvos regulamentares e a Europa alcançará cerca de 75% de quota de mercado de VE até 2030. A União Europeia anunciou um objetivo de emissões zero para automóveis novos até 2035.

A China continuará também a testemunhar um forte crescimento da eletrificação permanecendo o maior mercado de VE em termos absolutos. A aceitação resulta de uma forte atração por parte do consumidor, apesar de baixos subsídios para VE e a inexistência de uma data final para as vendas de MCI. No entanto, a política governamental de duplo crédito levou ao aumento da quota de VE nos portefólios dos fabricantes de equipamento original. As previsões apontam para uma quota de VE chinesa acima dos 70% para as vendas de automóveis novos em 2030, no cenário acelerado.

Nos Estados Unidos, a administração Biden anunciou um objetivo de eletrificação de 50% para 2030, fortes investimentos na infraestrutura de carregamento e objetivos mais rigorosos para as emissões das frotas. A aceitação de VE resultará acima de tudo do apoio regulamentar na Califórnia e noutros estados que seguem a regulamentação CARB ZEV.

Os fabricantes de equipamento original dos EUA apoiam os alvos de eletrificação e declararam a abolição de MCI até 2035, o que significa que os Estados Unidos seguirão a Europa e a China na aceitação de VE com um pequeno atraso; espera-se que ultrapassem os atuais alvos regulamentares e que alcancem os 65% de vendas de VE até 2030 no cenário acelerado.

A transformação da mobilidade elétrica
Na União Europeia, o atingir do cenário acelerado de cerca de 75% de vendas de VE até 2030 terá implicações para todo o ecossistema e cadeia de valor dos VE. Paralelamente, a indústria deverá reduzir as emissões de carbono em todo o ciclo de vida dos veículos para assim se aproximar de um alvo de emissões zero.

Os fornecedores automóveis atuais têm de alterar a produção de componentes MCI para VE. A Europa terá de construir cerca de 24 novas mega-fábricas de baterias para assim dar resposta à procura local de baterias de VE de passageiros. Com mais de 70 milhões de VE na estrada até 2030 a indústria terá de instalar uma grande quantidade de carregadores públicos e fornecer as respetivas operações de manutenção.

A produção de energias renováveis terá de aumentar em 5% para dar resposta às necessidades de carregamento de VE. Por fim, as emissões da produção de BEV deverão descer, já que os BEV têm atualmente 80% mais emissões durante a sua produção do que os veículos MCI.