Que avarias podem afetar um veículo apanhado numa inundação?

02 - Que avarias podem afetar um veiculo apanhado numa inundacao

A Euromaster identificou os danos menos visíveis que a exposição à água pode provocar nos veículos em situações de cheias e inundações, explicando quais os sistemas mais afetados e que componentes podem, ou não, ser recuperados

Na sequência das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram cheias e inundações em várias regiões do país, a rede de oficinas Euromaster vem alertar para os efeitos menos evidentes que a água pode causar nos veículos, muitas vezes só detetados dias ou semanas após o contacto com zonas alagadas.

Motor

“Se o veículo se encontrar em funcionamento quando entra numa zona inundada, é muito provável que a água entre pela admissão do motor, podendo provocar a sua avaria total. Em situações deste tipo, a água pode entrar nos cilindros e, quando o pistão sobe ao ponto morto superior, como a água não é compressível, ocorre a deformação das bielas, conduzindo à rutura completa do motor”, começou por explicar a rede em comunicado.

“Num veículo com cerca de 15 anos de antiguidade, a substituição integral do motor pode facilmente ultrapassar os 3.000 euros. No caso de veículos mais recentes, de gama média, o custo da substituição completa do motor pode situar-se entre os 10.000 e os 15.000 euros”, alertou.

Sistemas eletrónicos e unidades de controlo

Num veículo de combustão relativamente recente, podem existir entre 25 e 30 unidades eletrónicas. “Em caso de inundação, é altamente provável que estas unidades sejam afetadas, quer pela água acumulada, quer pela sujidade e pelos detritos habitualmente arrastados durante uma cheia”, referiu.

“As unidades eletrónicas mais simples apresentam um custo base superior a 300 euros por unidade, enquanto uma mais sofisticada e tecnologicamente avançada pode atingir valores entre os 1.000 e os 5.000 euros”, afirmou.

Travões e suspensão

“No caso dos sistemas de travagem e de suspensão, uma limpeza profunda e uma secagem adequada podem, em muitos casos, ser suficientes para resolver o problema, sendo estes considerados danos de menor gravidade”, sublinhou.

“Importa recordar que, juntamente com os pneus, os travões e as suspensões são dos componentes mecânicos mais expostos às intempéries, nomeadamente à chuva intensa, à água acumulada e às projeções resultantes da circulação em zonas alagadas”, acrescentou.

Sistema de escape

Relativamente ao sistema de escape, “é fundamental assegurar a correta remoção da água acumulada, evitando a retenção de humidade que pode dar origem a fenómenos de corrosão interna. Os custos associados à reparação variam significativamente, mas são, regra geral, inferiores aos decorrentes de danos no motor”, deu conta.

Interior do veículo

A reparação do interior de um veículo inundado é, na maioria dos casos, viável. “Bancos, tablier, revestimentos e outros elementos do habitáculo podem ser recuperados, embora o processo seja exigente. O custo mínimo estimado para este tipo de intervenção ronda os 250 euros, podendo aumentar em função da extensão e da gravidade dos danos”, avançou.

Veículo elétrico

Embora a bateria dos veículos elétricos esteja concebida para resistir à submersão, o principal problema reside nos restantes componentes eletrónicos. “Quando um veículo elétrico fica submerso numa zona inundada, é muito provável que estes componentes sejam afetados de forma grave ou muito grave, podendo, em alguns casos, não compensar proceder à reparação”, concluiu o documento.