“Temos orgulho no que alcançámos nestes 25 anos de atividade”, Nuno Guerra, Polibaterias

Cada negócio tem a sua história e a da Polibaterias é daquelas que não passa despercebida. Fundada por Nuno Guerra, começou por ser um negócio local e regional, e hoje detém a representação de marcas como a Fiamm e Eurocell
Para completar a gama de produtos, distribui os aparelhos de teste e análise de baterias, carregadores e Boosters/Arrancadores para baterias do fabricante italiano Electromem.
Sempre atenta às tendências atuais e futuras, a Polibaterias tem vindo a consolidar a sua gama Eurocell e mais recentemente, renovou o “look” da Xtreme, a sua gama premium.
Como é constituída a oferta atual da sua empresa, a nível de marcas e gamas de produtos?
A Polibaterias é o representante para Portugal das baterias de arranque FIAMM, com origem em Itália, o terceiro maior fabricante europeu de baterias de arranque, e fornecedor das principais marcas automóveis (OEM). Distribuímos também a EUROCELL, marca portuguesa registada pela empresa, com quase 20 anos de presença no mercado e com produtos de qualidade comprovada de origem certificada e controlada pela nossa empresa.
Para além das baterias de arranque, em que somos especialistas e onde disponibilizamos uma vasta gama de baterias, com produtos exclusivos no mercado que outros distribuidores/importadores não comercializam, também procuramos dar resposta a outras vertentes da área dos acumuladores, onde se incluem as Baterias Industriais (Estacionárias- Agm, Vrla, Gel, Deep Cycle e também Baterias de Tração – Tubulares, Monoblocos, Agm, Gel) para as mais diversas aplicações: Ups, centrais telefónicas, cadeiras de rodas motorizadas, carros e troleys de golfe, scooters elétricas, equipamentos hospitalares, alarmes, sistemas fotovoltaicos e eólicos, empilhadores, máquinas elevadoras e lavadoras, varredouras, etc.
Para completar a nossa gama de produtos, distribuímos toda a gama de Aparelhos de Teste e Análise de Baterias, Carregadores e Boosters/Arrancadores para baterias do fabricante italiano ELECTROMEM.
Celebraram 25 anos em 2021, e lançaram um livro, pelo quê que é composto este livro e o que representa para a empresa?
25 anos são um marco na vida de qualquer instituição. Temos orgulho no que alcançámos nestes 25 anos, e, também em virtude de estarmos em confinamento por altura desse aniversário, surgiu a ideia de o comemorar com o lançamento deste livro.
No mesmo pode conhecer-se a história da Polibaterias, dos seus colaboradores, das marcas que representa, de várias peripécias, momentos bons, outros mais difíceis, mas também decisivos e marcantes na vida da mesma.
Considera que para crescer têm de aumentar o vosso portfólio de marcas?
O crescimento nem sempre está associado a um aumento de disponibilidade de produtos ou marcas. Por vezes, basta estar preparado e ter ao nosso lado parceiros que nos permitam estar sempre na vanguarda da tecnologia e ter uma oferta adequada para as diversas áreas em que operamos. No entanto mantemo-nos atentos a essa possibilidade.
O aumento do número de marcas e de referências exige mais espaço de armazenamento. Como estão a resolver esta situação para aumentar o vosso stock?
Os armazéns da Polibaterias estão dimensionados para as necessidades de stocks da empresa. No entanto temos previsto a médio prazo, e se necessário, antecipar a ampliação das instalações do Seixal.
Está previsto o lançamento de mais marcas e novas linhas de produto?
Neste momento estamos ainda em fase de lançamento da renovada gama da EUROCELL Xtreme, a nossa gama premium. Com um novo look, bloco em cinza, seladas e sem manutenção com sistema de “olho mágico”, nova imagem em vermelho e negro, e capacidades superiores. Estamos a oferecer polos na aquisição de baterias desta gama.
Qual o desempenho da vossa marca EUROCELL?
A EUROCELL tem vindo a consolidar a sua posição no nosso mercado, e também no exterior com alguma exportação. É um produto reconhecido pelos nossos parceiros e clientes como sendo de qualidade acima da média, e com uma oferta muito completa, que inclusive supera a de grandes fabricantes europeus. Além disso possui duas gamas, uma standard (STD) e outra Premium (Xtreme) que se adequam perfeitamente às necessidades do nosso parque automóvel.
O custo médio dos componentes vai continuar a aumentar em 2022. Que efeitos esta situação poderá trazer para o mercado?
É do conhecimento geral que a inflação na zona Euro está a chegar aos 9% e no nosso país em particular quase aos 10%. Os custos de produção, nomeadamente ao nível das energias e transportes, subiram vertiginosamente e não parecem abrandar. Obviamente que esse facto vai penalizar todo o mercado, e as peças e baterias não serão exceção. No caso da produção de baterias, os custos com energia são tremendos (desde a produção em si até a carga final das mesmas), mas existem outros fatores como o preço do chumbo e das restantes matérias primas que constituem uma bateria. Por exemplo o eletrólito (vulgo ácido) subiu mais de 100% o seu custo no espaço de 1 ano!
Considera que os utilizadores vão privilegiar as marcas low-cost em detrimento das premium, como alternativa à escalada de preços?
Sim, essa é uma realidade que já se sente, e que sempre sucedeu noutros períodos de crise e inflação. Estamos obviamente cientes disso e temos uma oferta adequada na nossa marca EUROCELL, no entanto tentamos dinamizar as vendas e o mercado premium, neste caso da FIAMM, com ações específicas, promoções e campanhas de marketing e merchandising.
Face às dificuldades com os transportes e à falta de matérias primas, até quando poderá haver escassez de oferta de produto?
Essa é uma pergunta que deveria ser transmitida aos mais altos organismos do estado, quer português quer também da União Europeia. No entanto a incerteza quanto ao desfecho da guerra na Ucrânia cria um estado de insegurança também ao nível do abastecimento de produtos. Pela nossa parte temos procurado canais e rotas alternativas por forma a minimizar estas condicionantes.
Quais são os pontos chave que definem a atividade do pós-venda automóvel em Portugal neste período pós-pandemia que agora estamos a viver?
Julgamos que o negócio irá manter uma elevada competitividade, quer por ação da grande quantidade de intervenientes, quer pela entrada de novas marcas low-cost no mercado. Todavia, a falta de qualidade de muitas delas, tem levado a que estes ciclos sejam momentâneos, pois os distribuidores de baterias e acessórios procuram produtos competitivos, mas que lhes assegurem uma boa qualidade, sinónimo de continuidade de negócio.
A inflação terá também um papel determinante no desempenho deste e de outros mercados. Determinante será também o final da guerra da Ucrânia, e da dependência Europeia dos combustíveis e gás russos, encontrando uma forma urgente de colmatar esta sujeição.
A idade média do parque automóvel continua a aumentar. Considera que esta situação é benéfica para a venda de peças?
Em algumas situações poder-se-ia dizer que sim, pois um parque mais velho é sinónimo de mais peças. Mas esse parque terá tendência a diminuir por força do abate de VFV, sendo que não há novos veículos para compensar esses abates.
Por outro lado, os operadores são obrigados a ter stocks de peças com mais referências para continuar a cobrir o parque automóvel mais antigo, mas, terão igualmente de colocar em stock novas referência para viaturas mais recentes, o que obriga a um maior esforço logístico e financeiro.
Os carros elétricos têm menos 60 a 70% da manutenção da que têm atualmente os carros com motor a combustão. O que está a fazer a sua empresa para compensar esta quebra de negócio?
Os veículos elétricos têm realmente uma menor necessidade de manutenção. No entanto, os motores de combustão não têm os dias contados. Ainda teremos essa tecnologia por muitas décadas. Além disso, no que a baterias diz respeito, esses veículos, vêm equipados para além da bateria para alimentação do motor elétrico (lítio), com uma bateria AGM para alimentar as unidades de comando e outros equipamentos de 12V, pelo que existe uma continuidade para esta área de produto. No entanto temos desenvolvido com maior dinâmica a área Industrial por forma a equilibrar uma possível quebra nas baterias de arranque.
O custo logístico da entrega das peças nas oficinas tem vindo a aumentar. Compensa ao distribuidor/retalhista suportar este custo?
Infelizmente esse acréscimo de custos é uma realidade que os distribuidores não poderão suportar, sob pena de entrarem em dificuldades financeiras a curto ou médio prazo. Esse custo/aumento, como todos os outros, devem, numa lógica macroeconómica, ser refletidos no preço final ao cliente.
Como estão a conseguir fidelizar os vossos clientes numa altura em que a concorrência é cada vez maior?
Felizmente temos criado várias parcerias com os nossos clientes ao longo dos anos, que têm vindo a ser fortalecidas com muito empenho, através de formação constante e o devido apoio comercial, técnico e de marketing a esses mesmos clientes.
Que desafios se colocam ao futuro da sua empresa?
No futuro, e numa perspetiva de médio prazo, prevemos que as baterias convencionais de chumbo ácido mantenham o seu domínio no mercado, em virtude do elevado envelhecimento do parque automóvel, mas também pela baixa adoção por parte dos condutores portugueses de veículos elétricos e híbridos.
As baterias para sistemas com Start-Stop têm vindo a representar o maior crescimento, entre todas as áreas de arranque, sendo que já representam 15% do volume total de vendas. O mercado dos veículos elétricos apresenta ainda uma possibilidade de grande desenvolvimento ao nível das baterias e das tecnologias, sejam lítio ou hidrogénio.
Iremos continuar atentos a estes desenvolvimentos e continuar a aposta na formação e em produtos inovadores, sempre com um olhar atento a novas tecnologias e oportunidades.
Como está a ser o desempenho da sua empresa neste ano 2022?
O mercado de 2022, e em particular o primeiro semestre, foram sinónimo de alguma inconstância, mas no cômputo geral estamos a conseguir atingir os nossos objetivos, pelo que, esperamos conseguir terminar o ano com o sucesso pretendido, pese embora a incerteza quanto ao futuro, e a diversos fatores que referi anteriormente, que poderão sem dúvida ter o seu impacto.




