“Vejo o futuro das peças reconstruídas com grande otimismo” Tomasz Galazka, ZF Aftermarket

Nesta entrevista, Tomasz Galazka, Head of Remanufacturing Strategy and Business Development da ZF Aftermarket, partilha a visão da empresa sobre o presente e o futuro da reconstrução de componentes automóveis. Uma análise aprofundada de um mercado em expansão, onde qualidade, inovação e circularidade caminham lado a lado
Numa altura em que a sustentabilidade, a eficiência de recursos e a economia circular assumem um papel central no futuro do setor automóvel, a reconstrução de componentes ganha cada vez mais relevância no aftermarket europeu.
É neste contexto que a ZF Aftermarket se posiciona como um dos principais protagonistas globais, combinando décadas de experiência industrial com inovação tecnológica para responder às exigências de um mercado em rápida transformação.
Com uma abordagem assente em processos rigorosos, know-how de equipamento original e uma forte aposta na digitalização, a empresa tem vindo a consolidar a sua estratégia de reconstrução como um pilar essencial para uma mobilidade mais sustentável e eficiente.
Desde quando a ZF Aftermarket reconstrói componentes automóveis?
A ZF Aftermarket está envolvida na reconstrução de componentes automóveis desde 1963, em Bielefeld, na Alemanha, tendo começado por disponibilizar embraiagens reconstruídas sob a marca SACHS. Ao longo das décadas, a empresa tem vindo a expandir continuamente tanto a gama de componentes reconstruídos como a sua presença global, através da integração de novas empresas no seu portefólio. Atualmente, a ZF opera quatro marcas premium que disponibilizam produtos reconstruídos — ZF, WABCO, TRW e SACHS — reunidas sob a designação ZF REMAN, que funciona como identidade unificadora das suas atividades de reconstrução.
Como define o processo de reconstrução seguido pela ZF Aftermarket?
A sólida herança enquanto fornecedor de equipamento original (OE) reflete-se na capacidade de aplicar know-how de engenharia OE, testes rigorosos e processos certificados a nível global (IATF 16949, ISO 9001, ISO 45001, ISO 14001), garantindo que cada componente reconstruído cumpre as especificações originais e é produzido de acordo com exigentes normas de saúde e segurança, suportadas por sistemas robustos de gestão ambiental.
A empresa segue um processo industrial de reconstrução rigoroso e totalmente padronizado, concebido para restaurar componentes usados — designados por cores — a um nível de desempenho equivalente ao de um produto novo, ou mesmo superior. Este processo, realizado de acordo com especificações técnicas exigentes e com base no know-how de engenharia OE, inclui várias etapas, como a recolha dos cores, desmontagem, limpeza, recuperação e remontagem dos componentes com recurso a peças novas ou reconstruídas, culminando em testes exaustivos. Cada unidade incorpora as mais recentes atualizações e beneficia de uma garantia equivalente à de uma peça nova.
Uma vez que a reconstrução depende da devolução de componentes usados (cores), uma gestão eficiente dos cores é essencial para manter materiais valiosos no ciclo produtivo e viabilizar a circularidade no setor automóvel. Um fluxo bem organizado destes componentes contribui para reduzir a necessidade de matérias-primas e o consumo energético no processo de fabrico, ao mesmo tempo que melhora a disponibilidade de peças para veículos mais antigos.

Quantos centros de reconstrução possui atualmente a ZF Aftermarket a nível global?
Somos um verdadeiro operador global na área da reconstrução. A ZF Aftermarket conta atualmente com 20 unidades de reconstrução em todo o mundo, formando uma rede global que abrange países como os Estados Unidos, México, Brasil, Alemanha, República Checa, Polónia, Reino Unido, Turquia, África do Sul, China e Índia.
Com uma presença tão abrangente, a ZF aposta numa estratégia de reconstrução “local-for-local”, o que representa uma clara vantagem para os clientes, que beneficiam do acesso a um portefólio de excelência composto por produtos reconstruídos localmente. Além disso, esta rede permite apoiar os mercados locais de forma eficiente, responder rapidamente às necessidades dos clientes e garantir padrões de qualidade consistentemente elevados.
Como é realizado o controlo de qualidade das peças reconstruídas pela ZF Aftermarket?
A ZF REMAN assegura a qualidade dos produtos reconstruídos através de um processo industrial totalmente padronizado, alinhado com a norma de engenharia do equipamento original, a IATF 16949 para sistemas de gestão da qualidade. Este sistema garante a realização de auditorias tanto à produção como aos clientes, em conformidade com a norma VDA 6.3. As linhas de montagem final integram sistemas de prevenção de erros (poka-yoke), semelhantes aos utilizados nas linhas de produção de equipamentos novos OE.
Cada produto reconstruído é sujeito a testes funcionais completos, verificações no final da linha de produção e atualização de software, garantindo um desempenho que cumpre ou supera as especificações originais. Por fim, cada unidade é fornecida com uma garantia equivalente à de uma peça nova, refletindo a aposta numa qualidade sem concessões.
Como caracteriza o programa de reconstrução implementado pela ZF Aftermarket e quais são os principais objetivos estratégicos desta iniciativa?
Como já referido, o programa de reconstrução da ZF Aftermarket é uma iniciativa global e industrial focada na recuperação de componentes automóveis usados, restaurando-os a um nível de desempenho equivalente ao de um produto novo — ou até superior — através de processos padronizados e certificados. No seu núcleo, este programa promove os princípios da economia circular, ao prolongar o ciclo de vida dos produtos, reduzir o desperdício associado ao seu descarte e incentivar uma utilização mais eficiente dos recursos ao longo de toda a cadeia de valor.
Para reforçar esta atividade, a empresa tem vindo a otimizar estrategicamente a eficiência do seu sistema de devolução de cores, através de uma solução digital avançada denominada CorExpedia. Adicionalmente, todas as unidades da ZF Aftermarket utilizam eletricidade proveniente de fontes 100% renováveis.
Com o objetivo de ampliar a relevância do portefólio ZF REMAN, a empresa está também a expandir a sua atividade para a reconstrução de componentes selecionados de outros fabricantes — por exemplo, na área dos sistemas de mobilidade elétrica — mantendo sempre os elevados padrões de qualidade da ZF.
Como está a ZF Aftermarket a expandir e adaptar o seu portfólio de produtos reconstruídos para responder às novas tecnologias dos veículos, às mudanças nas práticas de reparação e à crescente importância da sustentabilidade no setor automóvel?
Uma das iniciativas estratégicas implementadas foi a criação de uma equipa dedicada, no âmbito da engenharia de produto, focada exclusivamente em novas tecnologias. Esta abordagem permite expandir e adaptar continuamente o portefólio de produtos reconstruídos, acompanhando as transformações tecnológicas que estão a moldar o setor automóvel, tanto no presente como no futuro. Já foram, inclusive, iniciados projetos para veículos elétricos ligeiros (PC EV) fora do portefólio ZF.
Além disso, todos os produtos reconstruídos contribuem, de forma intrínseca, para os princípios da economia circular, ao reduzirem o consumo de matérias-primas e minimizarem os resíduos enviados para aterro.
Quais são atualmente as principais gamas de peças reconstruídas disponíveis no vosso portfólio?
A ZF Aftermarket disponibiliza um dos portefólios de produtos reconstruídos mais completos do mercado de pós-venda automóvel a nível global, abrangendo veículos ligeiros, veículos comerciais pesados, incluindo autocarros, e aplicações fora de estrada (off-highway), como máquinas de construção e agrícolas. A gama abrange sistemas de transmissão, direção, travagem, gestão de ar e eletrónica nas famílias de produtos ZF, SACHS, TRW e WABCO — desde pinças de travão para veículos ligeiros até grandes transmissões industriais. É possível consultar uma visão completa do portefólio no catálogo ZF REMAN, disponível no portal ZF Aftermarket.
O catálogo pode ser acedido através deste link.
Em média, quantas referências de peças reconstruídas têm disponíveis em stock?
Para dar uma ideia da dimensão, só no mercado europeu o nosso portefólio para o mercado independente inclui mais de 7.300 referências. A ZF REMAN mantém uma gama ampla e cuidadosamente gerida de produtos reconstruídos, abrangendo todos os principais segmentos de veículos, suportada pela sua rede global de unidades de reconstrução. Esta abordagem permite garantir elevada disponibilidade, entregas rápidas e os produtos certos nos locais onde os clientes necessitam — sem comprometer a qualidade nem a agilidade operacional.

Que tipo de garantia oferecem nas peças reconstruídas que comercializam?
A ZF REMAN disponibiliza, para cada unidade reconstruída, uma garantia equivalente à de uma peça nova. De forma geral, é oferecida uma garantia de dois anos para peças de substituição. Em alguns casos, esta pode ser ainda mais alargada — por exemplo, em produtos como pinças de travão para veículos ligeiros ou embraiagens para veículos comerciais pesados, onde é assegurada uma garantia de três anos (mais um ano do que nos produtos novos), reforçando o compromisso com a qualidade. Apenas nas transmissões se mantém uma garantia de um ano, em linha com os produtos novos.
Importa salientar que a garantia abrange a unidade completa, e não apenas os componentes substituídos, refletindo o facto de cada produto ser reconstruído através de processos industriais padronizados e certificados, atingindo um nível de desempenho equivalente ao de uma peça nova — ou até superior. Esta abordagem assegura aos clientes total confiança em termos de desempenho, fiabilidade e qualidade ao nível OE, independentemente de optarem por um componente novo ou reconstruído.
Considera que as peças reconstruídas estão a assumir uma importância crescente no aftermarket automóvel europeu?
Sem dúvida — as peças reconstruídas estão a assumir uma importância crescente, especialmente no mercado de pós-venda automóvel europeu. A procura por componentes de elevada qualidade e com uma boa relação custo-benefício é também impulsionada pelo forte compromisso da Europa com os princípios da economia circular. À medida que os veículos se tornam mais complexos e a mobilidade elétrica ganha expressão, as peças reconstruídas desempenham um papel cada vez mais relevante ao ajudar as frotas a operar de forma mais eficiente, enquanto contribuem para a redução do consumo de materiais e para a minimização de resíduos.
Quais são atualmente as categorias de produto reconstruído mais procuradas pelas oficinas independentes?
Entre as oficinas independentes, a maior procura concentra-se atualmente em várias categorias-chave de produtos reconstruídos. No segmento dos veículos ligeiros, os componentes relacionados com o sistema de travagem continuam entre os mais frequentemente substituídos, devido às elevadas taxas de desgaste, sendo que a ZF disponibiliza cerca de 2.500 referências de pinças de travão para dar resposta a esta necessidade. A pinça de travão é um elemento crítico do sistema de travagem de disco, alojando as pastilhas e os pistões e gerando a fricção necessária para abrandar o veículo — o que a torna uma peça de substituição frequente nas operações das oficinas.
As transmissões também registam uma procura consistentemente elevada, suportada por mais de 2.000 referências de peças reconstruídas da ZF para uma ampla gama de modelos. As oficinas recorrem ainda a conversores de binário, componentes essenciais para uma transmissão de potência contínua e eficiente em veículos automáticos e frequentemente substituídos em caso de avaria.
No segmento dos veículos comerciais pesados, a maior procura por parte das oficinas independentes concentra-se atualmente em duas grandes categorias de produtos reconstruídos: embraiagens e compressores de ar. Estes componentes estão sujeitos a elevadas cargas de funcionamento e a desgaste natural no uso diário das frotas, o que os torna peças de substituição recorrente. Neste contexto, as versões reconstruídas representam uma solução fiável e economicamente eficiente para as oficinas, garantindo a disponibilidade dos veículos e assegurando um desempenho ao nível OE.
O mercado europeu de reconstrução de peças automóveis foi avaliado em cerca de 58,3 mil milhões de dólares em 2024, com projeções de atingir 79,4 mil milhões de dólares até 2030. Está de acordo com estas estimativas e com a trajetória de crescimento prevista para este mercado?
As estimativas indicam que a taxa de crescimento anual composta (CAGR) referida na sua questão se situa em cerca de 5%. Com base nas minhas próprias premissas, acredito que o valor real deverá posicionar-se entre 3% e 5%.
Porquê? As reparações em oficina estão a tornar-se cada vez mais dispendiosas, devido ao aumento dos custos de mão de obra. Como consequência, as oficinas podem considerar mais atrativa a substituição completa de unidades, em vez de recorrer a processos de reparação mais intensivos em trabalho. Neste contexto, os componentes reconstruídos (REMAN) apresentam uma clara vantagem em termos de preço, o que aumenta a probabilidade de serem escolhidos pelas oficinas e, em última instância, pelos clientes finais.
No entanto, esta perspetiva pode ser significativamente afetada caso os clientes finais optem cada vez mais por peças novas redesenhadas, frequentemente de menor custo, importadas de fora da União Europeia. Uma preferência crescente por componentes de menor custo, provenientes de mercados extra-UE poderá fragilizar o mercado de reconstrução, representando, na minha perspetiva, uma ameaça séria à sua estabilidade a longo prazo.
Qual é a perspetiva da ZF Aftermarket sobre os desafios logísticos e operacionais associados à recolha de componentes usados (“cores”) em toda a Europa e à sua reintegração no processo de reconstrução? Na sua opinião, como deve funcionar um sistema eficaz de devolução de peças usadas?
A recolha de cores em toda a Europa é, sem dúvida, um desafio, sobretudo devido à elevada fragmentação do mercado de pós-venda e à grande variabilidade dos processos de devolução entre distribuidores e oficinas. Uma gestão eficiente dos cores é essencial para a reconstrução, mas os procedimentos tradicionais são frequentemente complexos e morosos para os clientes.
É por isso que a ZF aposta na digitalização e na padronização — por exemplo, através da plataforma CorExpedia, que simplifica a documentação, assegura total transparência e facilita a logística, incluindo a coordenação de transporte. Esta abordagem permite garantir um fluxo estável de componentes para as unidades de reconstrução, reduzir o esforço administrativo dos clientes e promover um modelo mais eficiente em termos de recursos e alinhado com os princípios da economia circular no mercado de pós-venda.

Quais são as principais vantagens das peças reconstruídas para: distribuidores de peças, oficinas independentes e para o cliente final?
Sem dúvida, os produtos reconstruídos oferecem uma excelente relação qualidade-preço, constituindo uma alternativa mais económica sem comprometer a qualidade ao nível do equipamento original e assegurando, no mínimo, a mesma garantia que as peças novas (ou até superior).
· Para os distribuidores, as principais vantagens incluem melhores margens, elevada disponibilidade, acesso a peças raras ou para veículos mais antigos e uma proposta de valor altamente competitiva. Além disso, permitem reforçar o portefólio com soluções alinhadas com os princípios da economia circular.
· Para as oficinas independentes, as unidades reconstruídas possibilitam reparações mais rápidas em comparação com intervenções realizadas diretamente em componentes não totalmente funcionais. Estes produtos não exigem ferramentas especiais, utilizam os mesmos equipamentos de diagnóstico que as peças OE e oferecem preços mais competitivos, garantindo simultaneamente um desempenho ao nível do equipamento original. Em países como a França, onde as oficinas são legalmente obrigadas a apresentar uma opção mais sustentável, a oferta de produtos reconstruídos ajuda a cumprir esse requisito.
· Para os clientes finais, os benefícios incluem custos de reparação mais baixos, elevada fiabilidade, uma garantia robusta e menor tempo de imobilização do veículo.
O relatório Europe Automotive Parts Remanufacturing Market Size, Share, Trends & Growth Forecast Report (2025–2033) indica que, apesar do crescimento do setor, a consciencialização dos consumidores ainda é limitada. Muitos consumidores ainda manifestam preocupação quanto ao desempenho e à durabilidade destas peças. O que pode a indústria fazer para sensibilizar melhor os consumidores para as vantagens das peças reconstruídas?
Na ZF, concordamos com esta perspetiva. Observamos que o conhecimento dos consumidores sobre peças reconstruídas ainda está em evolução e que, enquanto setor, é essencial comunicar de forma mais clara o seu valor. Um dos principais objetivos passa por demonstrar a qualidade ao nível OE — especialmente em componentes críticos para a segurança — bem como evidenciar de que forma a reconstrução contribui para a economia circular e para uma mobilidade mais eficiente em termos de recursos.
É também fundamental esclarecer a diferença significativa entre a verdadeira reconstrução industrial e outras práticas menos exigentes de reparação ou recondicionamento presentes no mercado. Esta distinção torna-se particularmente evidente quando uma unidade reparada é incorretamente apresentada como reconstruída, o que, infelizmente, prejudica o mercado e diminui a confiança nestes produtos.
Por outro lado, a colaboração próxima com distribuidores, oficinas e frotas — através de formação especializada, materiais técnicos e sessões práticas com produtos — desempenha um papel crucial. Na ZF, existe total abertura para receber parceiros de negócio e demonstrar, na prática, como decorre o processo de reconstrução, garantindo que se sintam plenamente confiantes na recomendação destes produtos.
Quanto maior for a compreensão dos consumidores sobre a forma como as peças reconstruídas são produzidas e as garantias que as suportam, maior será a confiança na sua escolha. A ZF é também membro ativo de associações como a FAAS e a APRA, onde, em conjunto com outros intervenientes do setor, reconhece a importância de promover a educação do mercado a uma escala mais ampla.

A Comissão Europeia tem destacado que prolongar a vida útil dos produtos, através da reparação e reconstrução, é essencial para reduzir o impacto ambiental e a dependência de recursos críticos. Na sua opinião, que medidas a Comissão Europeia poderia implementar para incentivar e regulamentar ainda mais o uso de peças reconstruídas?
A Comissão Europeia está claramente a acelerar a sua ambição de reforçar os modelos de economia circular, e a reconstrução assume um papel central nesta transição. Se a Europa pretende ampliar estas práticas, existem várias medidas estratégicas que poderão ter um impacto significativo.
Em primeiro lugar, a introdução de definições harmonizadas a nível da União Europeia, bem como de critérios de qualidade e normas de rotulagem para peças reconstruídas, traria maior clareza a todos os intervenientes — desde distribuidores a oficinas e utilizadores finais. Uma distinção clara entre a reconstrução industrial e outras práticas menos exigentes de reparação ou recondicionamento contribuiria de forma decisiva para aumentar a confiança e a transparência.
Em segundo lugar, a Comissão poderia estabelecer uma ligação explícita entre a reconstrução e a agenda europeia para as matérias-primas críticas, ou incentivar os Estados-Membros à adoção de incentivos fiscais específicos, como benefícios em sede de IVA. Poderia ainda alargar o âmbito das soluções de economia circular nas políticas europeias, promovendo simultaneamente uma redução significativa do consumo de matérias-primas. Medidas deste tipo reforçariam a resiliência das cadeias de abastecimento — especialmente num contexto de pressão sobre materiais estratégicos — e tornariam os modelos de negócio circulares mais atrativos e competitivos, particularmente em segmentos de mercado sensíveis ao preço.
Como prevê a evolução da gama de peças reconstruídas da ZF Aftermarket nos próximos anos e quais são as expectativas de negócio associadas a este segmento?
Em síntese, a nossa gama de produtos reconstruídos irá expandir-se significativamente nas áreas dos veículos elétricos, híbridos e componentes eletrónicos, evoluindo de acordo com as necessidades específicas de cada região e reforçando a disponibilidade de produtos tanto para plataformas de veículos mais antigas como mais recentes. O mercado e o enquadramento regulatório parecem estar a acelerar no sentido de favorecer soluções circulares de elevada qualidade.
De forma geral, está otimista quanto ao futuro das peças reconstruídas? Como acredita que este mercado irá evoluir na próxima década?
Sim, vejo o futuro das peças reconstruídas com grande otimismo. Apesar da concorrência intensa e em constante crescimento por parte de peças novas redesenhadas, acredito que, ao longo da próxima década, iremos assistir a um crescimento anual sustentado, a uma rápida expansão da reconstrução de componentes para veículos elétricos e de eletrónica, bem como a um reforço do apoio regulatório. Observa-se também que cada vez mais fabricantes de equipamento original (OEM) estão a integrar a reconstrução nos seus modelos de negócio principais, o que deverá contribuir para uma maior aceitação por parte de distribuidores, oficinas, frotas e consumidores.
Perfil de Tomasz Galazka, Head of Global Remanufacturing Strategy & Business Development, ZF Aftermarket
Tomasz Galazka lidera a estratégia global de reconstrução na ZF Aftermarket, impulsionando o crescimento sustentável através de soluções de economia circular e da extensão do ciclo de vida dos produtos. Com mais de 25 anos de experiência na indústria automóvel — incluindo 14 anos dedicados à reconstrução — liderou iniciativas-chave como o lançamento de operações industriais na Polónia, o desenvolvimento de sistemas de gestão de cores e a expansão do portefólio de produtos reconstruídos a nível global.




