Afinal, o que é preciso para ser um bom líder?

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Uma liderança eficaz é cada vez mais importante para a retenção de talentos e um desafio crescente no setor aftermarket. A arte de liderar uma equipa é das mais exigentes, mas em última análise, uma das mais compensadoras. A parte difícil de ser um líder eficaz é saber onde traçar os limites para determinar o que é benéfico e o que pode não ser

Liderança é a habilidade de influenciar, motivar e capacitar outras pessoas para alcançar objetivos comuns. Segundo Lauren Landry, diretora de marketing e comunicações da Harvard Business School, líderes eficazes possuem características como integridade, capacidade de comunicação, empatia e adaptabilidade.

Além dessas características, também devem reconhecer a importância de cultivar um ambiente de confiança e transparência. Em “Good Leadership? It All Starts With Trust” (Boa liderança? Tudo começa com confiança), publicado por Abbey Lewis, as empresas com líderes que promovem uma cultura de confiança têm níveis mais elevados de inovação, envolvimento dos colaboradores e desempenho organizacional. Esse tipo de liderança não apenas retém talentos, mas também os inspira a que se superem, contribuindo para um ciclo contínuo de crescimento e sucesso na empresa. Investir no desenvolvimento de habilidades de liderança, portanto, não é apenas uma questão de gestão eficaz, mas uma estratégia crucial para a sustentabilidade e prosperidade a longo prazo de qualquer organização.

Um caso de sucesso
Um exemplo clássico de liderança bem-sucedida é Lee Iacocca, um executivo que dirigiu a Ford e que salvou a Chrysler da falência. Em 1979, a empresa atravessava um período de crise profunda. Lee Iacocca, nomeado presidente a 20 de setembro de 1979, implementou uma série cortes orçamentais e adotou uma estratégia de marketing criativa e ousada para a época. Num dos anúncios publicitários, chegou mesmo a afirmar: “Se encontrar um carro melhor, compre-o.” Esta frase tornou-se célebre e fez desta uma das campanhas corporativas mais famosas da história. Além disso, negociou um empréstimo com o congresso americano que ficou pago com sete anos de antecedência e ainda introduziu novos modelos de carros que se tornaram extremamente populares no mercado.

Graças à sua liderança visionária, a Chrysler voltou a ser rentável em 1983. O empresário manteve-se na presidência até 1992, altura em que se reformou aos 68 anos. Durante o seu mandato, expandiu ainda o portfólio ao adquirir a American Motors Corporation (AMC) e a Jeep ao portfólio de marcas do grupo. No entanto, o sucesso do CEO não se deveu apenas à sua estratégia empresarial, mas também à forma como transformou a cultura interna da empresa, inspirando os colaboradores a tornarem-se pessoas motivadas e “famintas” pela vitória e o progresso, tal como ele. O próprio chegava a dizer que: “No final, todas as operações comerciais podem ser reduzidas em três palavras: pessoas, produtos e lucros. As pessoas vêm em primeiro lugar. Se não tiveres uma boa equipa, não poderás fazer muito com as outras duas”.

Boa liderança retém talentos
Provavelmente já deve ter ouvido a expressão “as pessoas não pedem demissão das empresas, mas sim dos líderes”. Na realidade, os números confirmam mesmo essa tendência. Em Portugal, 81% dos profissionais admitem ter ponderado sair da empresa devido à sua chefia, e 56% (que correspondem a 45% do total dos inquiridos) chegou mesmo a fazê-lo.

Os dados fazem parte do estudo “Qual a qualidade das nossas lideranças? A Importância da Empatia”, de Sara Midões, coordenadora executiva e docente do Curso de Liderança Positiva e Empática, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP). Uma das principais conclusões deste estudo, publicado em 2023, é que aproximadamente 88% dos inquiridos reconhecem que a sua satisfação laboral é diretamente impactada (positiva ou negativamente) pela sua liderança e 81% mencionaram que afeta o seu bem-estar.

No entanto, a mesma investigação também destaca dados interessantes sobre o impacto positivo da liderança na retenção de talentos. Fique a par destes e de outros dados na edição impressa do Jornal das Oficinas de agosto/setembro, aqui.